"Linked": a teoria das redes na compreensão da sociedade PDF Imprimir E-mail
Mundo Geek | Livros
Seg, 07 de Dezembro de 2009 14:12 Escrito por Caroline Arice

capa_linked_1245269431Albert-László Barabási transformou a maneira como a ciência vê a internet. No livro "Linked - A Nova Ciência dos Networks", o genicista romeno costura uma curiosa tese: a web se desenvolve de maneira semelhante à nossa sociedade e à evolução natural.

"Como as nossas células, os sites querem se expandir. Para crescer, as páginas precisam de contatos, de cliques. Para ganharem da concorrência, devem ser mais simples e atraentes".


A obra já foi traduzida em oito idiomas em está em mais de 12 países. De forma didática e leve, a publicação estabelece paralelos entre as mais distintas teias existentes e, a partir disso, explica princípios organizacionais do network.


Confira a entrevista que Barabási concedeu à Revista Galileu em que explica como entender a era de extrema conexão em que vivemos.

 


* As redes são a chave para entender o mundo que nos cerca?
Barabási: Certos aspectos do mundo. Se você quer entender por que as estrelas existem, as redes não funcionam. Mas dá para usar a teoria das redes para entender como a sociedade está organizada, como a economia funciona, como encontrar as pessoas, como a informação é distribuída, por que você fica doente... Vou dar um exemplo: pense na gripe suína. Em como ela se espalhou pelo mundo. Em como organizamos a nossa vida de modo a estarmos sempre conectados a gente que não conhecemos. Nós viajamos, nós descobrimos novos lugares e pessoas. É parecido com o que faz um vírus. Ele estabelece redes, contatos, se espalha...

 


* A ciência costuma pesquisar partes de um todo para alcançar resultados. Ela não perde com isso?
Barabási: Sim. Nós alcançamos resultados incríveis estudando as partes, mas acabamos deixando de fora informações necessárias para entender como aquele objeto realmente funciona.

 


* Ver muito de perto cega?
Barabási: Conhecer muito bem somente as peças de um carro não ajuda a descobrir como ele funciona. Você não sabe onde elas encaixam. Para compreender como é o mundo, precisamos olhar para o todo, perceber como estamos conectados a tudo. A internet ajuda a ver isso. Ela é uma criação humana. Tecnicamente, é somente uma estrutura pela qual nos comunicamos. No entanto, a forma como a utilizamos, ou seja, como navegamos, enviamos e-mails e até mesmo telefonamos, nos diz muito sobre nós e sobre a nossa interação social. É interessante perceber que, apesar de ser um hardware baseado em uma infraestrutura, em vários aspectos a web segue as mesmas leis que outras redes, como as da célula humana. Basicamente, ela quer sobreviver, crescer.

 


* No livro, você diz que a web não é democrática. Por quê?
Barabási: Porque ela é dominada por poucos hubs. Hubs são "nós" altamente conectados, algo a que todo o mundo está ligado. Todos conhecem o Google. Poucos conhecem o meu site. Existe o princípio de que há democracia na internet: qualquer um pode colocar qualquer tipo de informação lá. Na prática, a maior parte das pessoas só alcança as informações colocadas pelos "hubs". Percebe? Você fica refém das escolhas do Google. Então, existe a democracia, mas não existe a prática da democracia. As pessoas somente vão atrás daqueles "nós" altamente conectados, cheios de links.

 


* Você desmonta a teoria dos seis graus, segundo a qual existem cinco pessoas entre mim e Barack Obama...

Barabási: Sim. Provavelmente a distância entre vocês é bem mais curta. Pessoas famosas têm muitos contatos e você, como jornalista, também deve ter. Os seis graus são medidos em casos extremos. Essa teoria é superestimada. Ela partiu de uma ideia do escritor húngaro Frigyes Karinthy, em 1929, mas só foi medida por cientistas sociais em 1967. O ponto é: eles só identificaram alguns caminhos possíveis entre os indivíduos e não necessariamente o caminho mais curto. Essa estrada só poderia ser descoberta se tivéssemos um mapa completo de todas as relações sociais de todas as pessoas. E a internet é uma boa ferramenta nessa missão.

 

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